Ministro Márcio Elias Rosa afirma que medida proposta pelos Estados Unidos afetaria setores como máquinas, calçados, plásticos e madeira

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira (2) que a proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pode afetar cerca de 21% das exportações do Brasil para o mercado americano. A medida foi sugerida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no âmbito de uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e combate ao desmatamento ilegal.
Segundo Rosa, os segmentos que seriam mais impactados pela nova tarifa incluem máquinas e equipamentos, plásticos, madeira, papel-cartão, calçados, ferro fundido, além de peixes e crustáceos. O governo americano tem até 15 de julho para decidir sobre eventuais medidas decorrentes da investigação. Durante entrevista coletiva em Brasília, o ministro também descartou qualquer possibilidade de o Pix entrar nas negociações entre os dois países. “Não há hipótese disso”, afirmou.
O sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central está entre os pontos questionados pelos Estados Unidos. O relatório do USTR sustenta que o Pix poderia prejudicar a competitividade de empresas americanas que atuam no setor de meios de pagamento, avaliação contestada pelo governo brasileiro e por representantes do sistema financeiro.
Na mesma coletiva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou como “totalmente descabida” a recomendação do órgão americano para a adoção de tarifas contra produtos brasileiros. Segundo Alckmin, o governo seguirá apostando no diálogo para evitar a aplicação das medidas. “O Brasil vai trabalhar para que as tarifas não ocorram. O caminho é do diálogo, que já vinha ocorrendo”, declarou
O vice-presidente também criticou o que chamou de atuação de “falsos patriotas sabotadores”, acusando adversários políticos de colocarem interesses eleitorais acima dos interesses nacionais. Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também elevou o tom das críticas ao associar os recentes movimentos dos Estados Unidos contra o Brasil à atuação dos parlamentares Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Lula classificou o senador como “traidor” e “vendilhão da pátria” durante evento público.
Com informações de CNN


