Programa anunciado por Luiz Inácio Lula da Silva prevê uso do FGTS, juros abaixo de 2% ao mês e descontos para reduzir o endividamento das famílias brasileiras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão nesta quinta-feira (30), o lançamento do chamado “Desenrola 2.0”, um novo programa de renegociação de dívidas voltado a famílias brasileiras endividadas.

A iniciativa, que será oficialmente lançada na próxima segunda-feira (5), prevê condições facilitadas para negociação de débitos, com juros reduzidos e descontos significativos. Segundo Lula, os brasileiros poderão renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, rotativo e até contratos do FIES com até 90% de desconto.

“Nós encontramos o Brasil e os brasileiros endividados. A dívida das famílias cresceu por anos e agora está sufocando uma parte da sociedade brasileira”, afirmou o presidente. Ele também defendeu o alcance social da medida: “Assim, você vai ter uma parcela bem menor e mais tempo para pagar sua dívida.”

Outro ponto destacado por Lula foi o impacto das apostas on-line no orçamento familiar. “O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet”, disse. O programa prevê que os beneficiários fiquem impedidos de acessar plataformas de apostas por um período de um ano.

Como vai funcionar o Desenrola 2.0

O Desenrola 2.0 prevê que pessoas endividadas possam renegociar débitos bancários utilizando parte dos recursos do FGTS como forma de reduzir o valor devido e facilitar o pagamento.

Nesta nova fase, o programa deve ser implementado em etapas. A prioridade inicial será atender pessoas físicas, especialmente aquelas com maior nível de endividamento. Em um segundo momento, a política será ampliada para alcançar trabalhadores informais e pequenas empresas.

Pelas regras em discussão, os juros das renegociações devem ficar abaixo de 2% ao mês, enquanto os descontos podem variar de 20% a 90% sobre o valor total das dívidas, a depender do perfil do débito e da negociação com as instituições financeiras.

Os beneficiários poderão utilizar até 20% do saldo disponível no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar ou amortizar dívidas, reduzindo o comprometimento da renda mensal.

A iniciativa ocorre em um cenário de alta do endividamento no país. Dados do Banco Central do Brasil indicam que o índice de endividamento das famílias chegou a 49,9% em fevereiro, o maior da série histórica.

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