Principal suspeito de orquestrar o assassinato a tiros do rapper é Duane Keith Davis, chamado de ‘Keffe D’

Rapper Tupac morreu em 13 de setembro de 1996 após ser atingido por quatro tiros em ataque • Reprodução | YouTube
A morte de Tupac Shakur completa 30 anos no próximo dia 13 de setembro e a Justiça americana deu início ao julgamento pelo assassinato a tiros do artista nesta segunda-feira (17). O principal suspeito do crime é Duane Keith Davis, conhecido como “Keffe D”.
O suspeito teria orquestrado o assasinato de Tupac, que foi morto em um ataque a tiros, vindos de dentro de um carro, em 7 de setembro de 1996. A motivação para o crime foi causada por uma briga entre o rapper e o sobrinho de Keffe D, logo após assistirem uma luta de Myke Tyson, em Las Vegas.
Mesmo que Keffe D não tenha disparado os tiros, os promotores alegam que ele foi responsável pelo planejamento do crime, além de ter fornecido a arma usada para matar Tupac. Duane Davis se declarou inocente das acusações.
Segundo as autoridades, uma rivalidade entre gangues de Los Angeles, chamados de “Bloods” e “Crips”, teria contribuído para a forma violenta com a qual o rapper foi morto.
Tupac Amaru Shakur, conhecido também pelo nome artístico 2Pac, foi atingido por quatro tiros em Las Vegas, no dia 7 de setembro de 1996. Segundo relatório da polícia, ele havia brigado em um cassino pouco antes do ataque.
Quando os tiros foram disparados, Tupac estava em uma BMW parada em um sinal vermelho, de acordo com os registros policiais. Um Cadillac branco parou ao lado do carro, e alguém que estava dentro dele abriu fogo.
O rapper foi levado ao hospital e passou seis dias internado e sendo mantido por aparelhos. No dia 13 de setembro de 1996 ele não resistiu aos ferimentos e morreu por falência respiratória e parada cardíaca.
O principal suspeito
Por anos, o próprio Duane Davis afirmou estar presente na cena do crime. Ele afirmou publicamente que estava no banco do passageiro do Cadillac branco que parou ao lado do carro de Tupac e abriu fogo. Porém, após a publicação do livro de memórias “Compton Street Legend”, a história ganhou um novo personagem.
Publicado em 2019, o livro possui um trecho em que Duane Davis afirmava ter conversado com Sean Combs, conhecido como P. Diddy, sobre o rapper. Na ocasião, Diddy teria pedido ajuda para ‘resolver alguns problemas’ com Knight e Tupac.
“Olhei nos olhos dele e, sem hesitar, respondi: ‘Não tem problema. Podemos fazer isso acontecer!’”, disse Davis no livro.
Na época do assasinato, Sean Combs era um dos maiores rappers da Costa Leste dos EUA, além de ter a própria gravadora e representar grandes artistas que fizeram sucesso no final dos anos 1990. Como Tupac era um dos maiores rappers da Costa Oeste, existia uma rivalidade entre eles, mas o nome de Diddy nunca chegou a ser investigado.
Em 2016, Sean deu uma entrevista no programa “The Breakfast Club”, onde negou veementemente as acusções de envolvoimento no assassinato e disse que as alegações eram absurdadas.
Apesar das declarações anteriores, Duane Davis voltou atrás e afirmou não ter envolvimento com a morte de Tupac. Em entrevista recente ao canal 8 News Now, ele disse que estava em Nevada, nos EUA, na época do crime. Sobre o livro, ele disse ter feito apenas por dinheiro.
“Sou inocente. Não matei ninguém. Nunca matei ninguém”, disse Davis em março de 2025, em uma entrevista concedida à emissora americana ABC News. “Eles não têm nenhuma prova contra mim.”
Peça chave das investigações
Além de Duane Davis, apenas uma outra pessoa que esteve presente na cena do crime está viva. Marion “Suge” Knight estava dirigindo o BMW em que Tupac estava na noite em que foi assassinado. Ele também foi baleado, mas sofreu apenas ferimentos leves e se recuperou rapidamente.
Assim como Sean Combs, Knight comandou uma gravadora chamada Death Row Records, com sede na Costa Oeste dos EUA. Além de Tupac, a empresa era responsável pela carreira de Dr. Dre e Snoop Dogg.
Pouco antes do ataque a Tupac, Knights passou cinco anos preso por agredir um homem. Além disso ele foi condenado a 28 anos de prisão por matar outro homem durante um atropelamento, em 2015. Assim ele construiu uma reputação violenta e ameaçadora.
Marion Knights nunca quis cooperar com as investigações. Em uma entrevista ao canal ABC, ele justificou a negativa dizendo que não é pago para ajudar a polícia. “Não sou pago para resolver homicídios […] Esse julgamento não tem nada a ver comigo, me deixem fora disso”, disse.
Knight ainda cumpre pena em uma prisão estadual em San Diego e disse em entrevista ao TMZ : “Eu não desejaria que ninguém fosse preso, nem para o meu pior inimigo”.
Outros envolvidos
Duane Davis é o único acusado vivo, porém, Orlando Anderson, Terrence Brown e Deandre Smith foram citados no processo como co-conspiradores nas acusações. Mesmo já tendo falecido, eles seguem sendo peças importantes nas investigações.
A peça central da morte de Tupac era o sobrinho de Duane, Orlando Anderson, que teria se envolvido em uma briga com o rapper após a luta.
Devonta Lee, uma testemunha do grande júri, explicou que a briga teria sido iniciada após uma confusão que aconteceu em um shopping de Los Angeles. Na ocasião, um amigo que estava com Anderson, junto com outros integrantes da gangue “Crips”, roubou o cordão da Death Row de Trevon Lane.
Já segundo o livro de Duane Davis, eles teriam passado acidentalmente pelos alvos. O grupo teria entrado no Cadillac branco para ir atrás de Tupac e Knight e ao seguir os comandos recebidos, Terrence Brown teria feito um retorno que possibilitou o encontro com a dupla.
Em um de seus relatos, Duane Davis disse que os tiros haviam começado em outro carro. Segundo ele Orlando Anderson e Deandre Smith estavam no banco de trás do Cadillac e só abriram fogo depois de perceberem os disparos.
“Um dos meus homens, que estava no banco de trás, pegou a Glock e começou a atirar de volta”, escreveu Davis.
Antes de morrer em um tiroteio de gangues em 1998, apenas dois anos depois da morte de Tupac, Orlando Anderson deu uma entrevista à CNN e negou envolvimento na morte do rapper.
O julgamento
Caso Keffe D, de 63 anos, seja condenado, ele deve receber pena de prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional.
Em entrevista ao podcast da BBC Fame Under Fire: The Tupac Murder Trial, um especialista em direito afirmou que a promotoria deve apresentar Duane Davis como mentor do assassinato.
“Eles vão adotar a teoria de que a responsabilidade de um é a responsabilidade de todos: Davis pode não ter disparado, mas o tiro não teria sido dado se ele não estivesse lá”, explicou Shaun Kent.
O julgamento acontece sob a supervisão da juíza Carli Kierny e a previsão é de que o processo dure até seis semanas.


