Andrey Kayky Santos de Almeida, de 20 anos foi sequestrado no baile funk conhecid como ‘sala vip’ e morto por integrantes do TCP; dois foram presos e quatro seguem foragidos

Andrey Kayque Santos de Almeida, de 20 anos e o traficante cadeirante do TCP Luigi Gustavo da Silva do Espírito Santo • Imagens cedidas à Itatiaia

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu a investigação sobre o assassinato de Andrey Kayky Santos de Almeida, de 20 anos, morto após ser sequestrado durante um baile funk na região conhecida como ‘Sala Vip’, no bairro Cabana do Pai Tomás, região Oeste de Belo Horizonte. 

Criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP), facção que domina a região, sequestraram, torturaram e mataram Andrey em outubro de 2025. 

Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) do Barreiro, sem saber que a região era dominada pelo TCP, o jovem, que segundo familiares não tinha qualquer envolvimento com organizações criminosas, fingiu ser integrante do Comando Vermelho (CV), facção rival, para ganhar moral com os criminosos.

‘Bandidolatria’

Andrey foi com os amigos para uma região do bairro Cabana do Pai Tomás conhecida como “Sala Vip”. Para ganhar prestígio entre pessoas presentes no baile, Andrey teria afirmado ser integrante do CV e morador da Rocinha, favela localizada no Rio de Janeiro.

“Ele foi se identificar, talvez por desconhecimento de que aquela região é dominada por membros do TCP, passou a demonstrar que era uma pessoa envolvida com a criminalidade no Rio de Janeiro, possivelmente tentando se enturmar, mas isso acabou custando a vida dele”, afirmou o delegado Evandro Radaeli em entrevista à Itatiaia.

Em determinado momento da noite, o grupo foi abordado por um grupo de cerca de sete homens liderados por um cadeirante identificado como Luigi Gustavo da Silva do Espírito Santo.

O grupo pediu para que Andrey Kayky desbloqueasse o celular e encontraram fotos dele fazendo o sinal de número 2 com os dedos, símbolo do Comando Vermelho. 

Os outros três jovens abordados foram liberados após serem agredidos. Andrey, porém, foi colocado em um carro de aplicativo e levado até um barracão às margens do Anel Rodoviário.

“Como ali é uma região dominada pelo TCP, eles não aceitaram a presença daquele indivíduo. Levaram Andrey para um barracão, onde ele foi torturado e executado com disparos de arma de fogo”, disse o delegado.

Jovem foi torturado e atingido por cerca de 40 tiros

Na época do crime, a Itatiaia apurou que Andrey foi encontrado com braços e pernas quebrados, dedos mutilados e uma fratura no crânio. Em seguida, foi executado com aproximadamente 40 disparos de arma de fogo

O corpo foi encontrado na altura do km 541 do Anel Rodoviário.

Criminosos ainda extorquiram familiares

A reportagem da Itatiaia também apurou que, enquanto Andrey permanecia sequestrado, os criminosos utilizaram o celular da vítima para extorquir um familiar.

Eles enviaram mensagens afirmando que o jovem possuía uma dívida e exigiram um pagamento via Pix. Em um dos áudios enviados, um dos criminosos dizia:

“Eu já tô com o demônio mesmo, a fim de matar alguém.”

Veja as mensagens trocadas pelos criminosos com a família da vítima

A família realizou uma transferência de R$ 70, mas o pagamento não impediu a execução do jovem. 

Os familiares sempre negaram que Andrey tivesse qualquer dívida ou envolvimento com o tráfico de drogas. 

Em uma das últimas mensagens trocadas, um familiar do jovem pergunta se “morreu o assunto” e pede perdão por Andrey, dizendo que sabe que ele “vacilou”.

Ainda assim, o criminoso afirma que “vai ficar no preju mesmo” e que o jovem iria tomar “pelo menos um coro”.

Felipe César de Oliveira Silva, conhecido como “Ditarde” foi apontado pela PC como o responsável pelos disparos.

Durante a Operação Cerco Fechado, a Polícia Civil prendeu Luigi Gustavo da Silva do Espírito Santo, o cadeirante apontado como o responsável pela primeira abordagem e por obrigar a vítima a desbloquear o celular.

Também foi preso Felipe César de Oliveira Silva, conhecido como “Ditarde”, identificado como um dos executores do homicídio.

Outros quatro investigados seguem foragidos.

Entre eles está Rafael Carlos da Silva Ferreira, conhecido como “Parazão” ou “Paraíba”, apontado pela Polícia Civil como uma das principais lideranças do Terceiro Comando Puro em Minas Gerais. 

Segundo o delegado Evandro Radaeli, em entrevista à Itatiaia, a investigação concluiu que ele tinha conhecimento da ação e teria “autorizado” a execução do jovem. 

A polícia acredita que o suspeito esteja no Rio de Janeiro, onde continuaria atuando no comando do tráfico de drogas.

A Itatiaia tenta contato com a defesa Luigi Gustavo da Silva do Espírito Santo e informa que o espaço segue aberto.

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