Nayara Oliveira Silva, 26 anos, morreu enquanto estava internada na Santa Casa de Patrocínio na última quarta-feira (12)

A família de Nayara Oliveira Silva, 26 anos, denunciou uma possível negligência médica durante a internação da jovem na Santa Casa de Patrocínio, no Triângulo Mineiro. A mulher estava grávida de oito meses e morreu após ter uma parada cardiorrespiratória na última quarta-feira (12).
Segundo relato do companheiro da jovem aos policiais, Nayara procurou atendimento médico no último dia 9, queixando-se de mal-estar, estado febril, dor de cabeça e dor de garganta. Na ocasião, ela foi atendida, medicada com soro e liberada com alguns pedidos de exames como teste para Dengue e H1N1, que tiveram resultado negativo.
Contudo, na última terça-feira (11), a jovem voltou a passar mal e procurou novamente a Santa Casa para atendimento. Nayara foi atendida pelos obstetras de plantão e foi submetida a alguns exames, que atestaram uma redução grande no número de plaquetas, o que motivou um pedido de internação.
Ainda segundo o companheiro da jovem, como Nayara mora no distrito de São João da Serra Negra, ela pediu que os médicos deixassem ela ir para casa buscar roupas, já que não havia levado nenhuma. De acordo com o homem, a jovem teria saído e voltado uma hora e meia depois.
Ao retornar, a jovem foi internada e levada para o quarto. Os familiares denunciaram que a jovem ficou sentindo dor, mas não recebeu atendimento médico adequado. Ainda segundo o companheiro da mulher, ela teve uma piora na madrugada do dia 12, quando começou a afirmar que não sentia mais o bebê de forma constante.
Além disso, Nayara começou a perceber uma mudança na coloração do abdômen. Os familiares procuraram as enfermeiras para relatar o fato, mas receberam o retorno de que a médica plantonista não estava disponível.
Pouco tempo depois, a jovem começou a gritar de dor. Quase às 5h da madrugada da última quinta-feira (12), Nayara começou a vomitar, sofreu uma parada cardíaca e morreu.
O que diz o hospital?
A Santa Casa apresentou uma versão diferente da família da vítima. Aos policiais, a unidade hospitalar relatou que a jovem retornou ao hospital na última terça-feira (11), às 18h, com persistência dos sintomas, quando a internação foi recomendada. Nayara, no entanto, pediu para ir para casa e foi liberada com orientação de retorno.
A unidade alegou que ela não cumpriu o combinado e voltou apenas às 20h43 do mesmo dia, acompanhada da mãe e relatando piora. Ainda segundo a Santa Casa, a jovem foi internada e diversos exames foram realizados, incluindo uma cardiotocografia, realizada às 22h, que mostrou o bebê com batimentos cardíacos normais.
A unidade afirmou que a jovem, durante a madrugada, aparentava estar bem e quis ir embora. Na ocasião, a mãe teria pedido a documentação de alta. No entanto, por volta das 4h30, a jovem teria sentido forte dor abdominal e caído ao solo, quando teria sido colocada em uma cadeira de rodas e levada novamente para o quarto.
Apesar de ter passado mal, a médica plantonista não poderia atender Nayara, pois estava realizando um parto de emergência. Por volta das 5h, a jovem começou a vomitar, teve uma parada cardiorrespiratória e, mesmo sendo reanimada por cerca de uma hora, morreu.
Prefeitura de Patrocínio acompanha apuração dos fatos
A Prefeitura de Patrocínio informou, em nota, que busca esclarecimento junto à Santa Casa de Patrocínio, instituição responsável, e acompanha a apuração da morte de Nayara Oliveira Silva.
“A Prefeitura de Patrocínio manifesta profundo pesar pelo falecimento de Nayara Oliveira Silva e de sua filha, Ayla, e se solidariza com familiares e amigos neste momento de profunda dor”, lamentou.
A Itatiaia procurou a Polícia Civil de Minas Gerais para saber se o caso é investigado, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O conteúdo será atualizado quando o retorno chegar.
A administração municipal também esclareceu que a Santa Casa de Patrocínio é uma instituição filantrópica com gestão própria e independente do Município.
“A Prefeitura mantém parceria com a instituição por meio do repasse mensal de recursos destinados à prestação de serviços de saúde à população. No entanto, a gestão do hospital, bem como a organização e a execução dos atendimentos realizados em suas dependências, são de responsabilidade da própria instituição”,informou.
A reportagem entrou em contato com a Santa Casa de Patrocínio em busca de um posicionamento, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.


