Na década de 1990, o historiador coordenou a equipe responsável pela redação da coleção História da Vida Privada no Brasil, publicada pela Companhia das Letras

Historiador Fernando Novais • Arquivo/ Serviço de Comunicação Social FFLCH USP
A historiografia brasileira perdeu um de seus maiores expoentes com o falecimento do historiador Fernando Novais, aos 93 anos. A confirmação da morte foi feita pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, instituição onde o acadêmico construiu grande parte de sua trajetória e mantinha o título de Professor Emérito. Natural de Guararema, interior de São Paulo, Novais nasceu em 1933 e graduou-se em História pela própria USP em 1958, vindo a concluir seu doutorado na mesma universidade em 1973.
Sua carreira no magistério superior teve início ainda em 1957, na Faculdade de Economia da USP. Em 1961, assumiu a cadeira de História Moderna na FFLCH, onde lecionou até sua aposentadoria em 1986. Imediatamente após este período, transferiu-se para o Instituto de Economia da Unicamp, onde passou a atuar como professor de História Econômica.
Intelectual engajado, Novais articulou, no final da década de 1950, o célebre “Seminário Marx” ao lado de figuras como José Arthur Giannotti e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, iniciativa que revolucionou a interpretação da obra de Karl Marx no Brasil.
O prestígio de Fernando Novais também alcançou o cenário internacional, levando-o a lecionar em duas ocasiões na Universidade do Texas, além de participar ativamente de debates e seminários em instituições renomadas como as universidades de Columbia e da Califórnia.
Ao longo de sua vida, produziu dezenas de artigos e livros fundamentais para a compreensão da história de Brasil e Portugal. Sua obra-prima, Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial (1777-1808), lançada em 1979, tornou-se um marco ao analisar minuciosamente as políticas coloniais portuguesas em relação ao território brasileiro em suas etapas finais.
Na década de 1990, o historiador coordenou a equipe responsável pela redação da coleção História da Vida Privada no Brasil, publicada pela Companhia das Letras, e, em 2005, reuniu seus principais artigos acadêmicos na coletânea Aproximações: Estudos de História e Historiografia.
Em nota oficial, a editora Companhia das Letras manifestou seu pesar, destacando que Novais foi responsável por influenciar diversas gerações de intelectuais, citando como exemplo a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz. Fernando Novais deixa dois filhos, além de netos e bisnetos


