Presidente norte-americano reforçou que precisa ter controle do território para evitar invasões russas e chinesas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
afirmou nesta segunda-feira (19) que o mundo não estará seguro até que o país norte-americano controle a Groenlândia,
território autônomo dinamarquês. A fala acontece em meio às tensões entre os EUA, groenlandeses e países europeus – que rejeitam categoricamente este cenário.
Em uma mensagem enviada ao primeiro-minsitro da Noruega, Jonas Gahr Store, o presidente norte-americano escreveu que “o mundo não estará seguro a menos que tenhamos controle total e completo sobre a Groenlândia”.
“Tendo em conta que o seu país decidiu não me dar o Prêmio Nobel da Paz por ter deito oito guerras ou mais, já não me sinto obrigado a pensar apena na paz”, acrescentou na mensagem.
O gabinete do premiê norueguês confirmou a autenticidade da mensagem em um e-mail à AFP. Store afirmou que o texto foi uma resposta a uma carta dele e do presidente finlandês Alexander Stubb, na qual mostraram oposição aos aumentos tarifátios impostos por Trump.
O republicano argumenta que “precisa” da ilha para evitar que a Rússia e a China estabeleçam uma hegemoia no Ártico. Trump ameaçou impor tarifas de 25% em oito países da União Europeia que manifestaram ser contra ao desejo dele. Entre eles estão Reino Unido, Alemanha, França e Noruega.
Os dirigentes da União Europeia vão se reunir em uma cúpula extraordinária nesta quinta-feira (22), em Bruxelas. O encontro terá o objetivo de analisar a ameaça dos Estados Unidos sobre a Groenlândia e a questão tarifária, indicou um porta-voz do Conselho Europeu.
O primeiro-minsitro da ilha ártica, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que a pressão com tarifa não mudará a posição do país contra a anexação com o país norte-americano. “Não vamos deixar que nos pressionem”, enfatizou.
“Ameaça russa”
Na mensagem enviada ao premiê norueguês, Trump reiterou o desejo de controlar a Groenlândia. “A Dinamarca não consegue proteger aquela terra da Rússia ou da China”, escreveu.
O presidente dos Estados Unidos afirmou na própria rede social que a Otan vinha há 20 anos dizendo ao país nóridco que deveria “afastar a ameaça russa da Groenlândia”. “Infelizmente, a Dinamarca não conseguiu fazer nada a respeito. Agora é a hora, e vai acontecer”, afirmou Trump.
Por outro lado, o minsitro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, afirmou que medidas já haviam sito tomadas.
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“Os governos da Dinamarca e da Groenlândia, juntamente com vários aliados da Otan, decidiram aumentar a presença militar e as atividades de treinamento no Ártico e no Atlântico Norte”, declarou o ministro em um comunicado nesta segunda-feira (19).
Lundo Poulsen acrescentou que ele e a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, se reuniram com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, nesta segunda.
Evitar aumento das tensões
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda que tentará se reunir com Trump na próxima quarta-feira (21), em Davos, na Suíça, para “evitar, na medida do possível, qualquer escalda” tarifária.
“Queremos simplesmente tentar resolver este problema juntos, e o governo americano sabe que também poderíamos reagir da nossa parte”, declarou Merz em Berlim.
A União Europeia enfrentou, no último domingo (18), pedidos para romper acordos comerciais com os Estados Unidos firmados com a Grã-Bretanha e o bloco em julho do ano passado.
Parlamentares pediram a implementação de uma série de contramedidas econômicas conhecidas como “Instrumento Anticoerção”, um mecanismo nunca utilizad antes que pode responder a qualquer país que faça ameaça comerciais para pressionar algum dos 27 Estados membros do bloco.
A medida pode, por exemplo, impor limites às importações de um país ou acesso a determinados mercados, com bloqueio de investimentos.
O comissário europeu, Stéphane Séjourné, destacou nesta segunda (19), que o bloco europeu dispõe de ferramentas para dissuadir Trump de impor novas tarifas.
“Temos as ferramentas à nossa disposição e devemos utilizá-las se necessário e se estas tarifas se confirmarem”, ressaltou o responsável por prosperidade e estratégia industrial.
* Com informações da AFP.


