Corpos do pai, da madrasta, das irmã e do sobrinho foram sepultados nesta quinta (8). Autor confessou o crime e está no sistema prisional

Um crime brutal, planejado por ressentimento e relatado de forma coerente e tranquila. É desta forma que a Delegada da Especializada de Homicídios, Camila Miller, descreveu o depoimento de Jonathas dos Santos Souza, de 42 anos. Ele foi preso pelo assassinato do pai, da madrasta, das irmãs e do sobrinho de 5 anos nesta quarta (7) em Juiz de Fora.

As vítimas foram veladas juntas na capela 3 do Cemitério Parque da Saudade. No fim da manhã desta quinta (8), houve no local os sepultamentos de João Batista Fernandes, de 74 anos, pai e Neide Fernandes de Faria Souza, de 63 anos, madrasta do suspeito.

Os corpos de Mônica do Santos Souza, de 47 anos, Raquel do Santos Souza, de 44, irmãs do suspeito, e Gabriel Souza Costa, de 5 anos, filho de Raquel, foram sepultados no início da tarde no Cemitério Municipal, no Bairro Poço Rico.

“Uma perda irreparável”, diz pastor amigo da família

Em conversa com a Itatiaia, o pastor Guido Henrique, que fez parte da mesma igreja onde João Batista era pastor, falou sobre os laços de amizade com a família fala dos cerca de 18 anos de convívio que teve com a família.

“Muitos ensinamentos. Eu cresci junto com os rapazes naquela casa. A hospitalidade, a cordialidade, o amor, o carinho, a casa aberta, né? Nós dormíamos juntos no mesmo quarto. Brincávamos, ríamos, nos sábados tínhamos nossos cultos de jovem, a gente saía pra comer pizza. Eu ia pra casa do pastor João na sexta e só saía de lá na segunda-feira. Sempre hospitaleiro, sempre brincando. Eu auxiliei ele em tudo. Ele me ajudou em tudo. Apresentou os meus filhos ao Senhor. Se hoje eu prego, se hoje eu canto, se hoje eu ministro, com ajuda, com apoio dele. Ele foi aquele que me impulsionou. A gente tem uma história e assim, a perda é irreparável, uma perda grande. Está me doendo muito”.

Vingança e ressentimento como possíveis motivos do crime

De acordo com a delegada Camila Miller, responsável pela investigação, durante o depoimento, Jonathas dos Santos confirmou ter planejado os assassinatos ainda na madrugada, quando atravessou a cidade para cometer o crime.

“Nós ouvimos ele por cerca de uma hora, uma hora e pouco. Ele não demonstrou nenhuma emoção, nenhum arrependimento. Ele relatou de forma coerente, desde o momento que ele acordou, vestiu a roupa dele, pegou as facas, se dirigiu a pé até a casa dos familiares. Lá chegando, esperou a primeira pessoa sair, que era a oportunidade que ele teria para entrar, que foi a irmã dele. Ele relata que deu um soco na irmã, logo em seguida os golpes de faca e adentrou a casa e se deparou com a madrasta, golpeou a madrasta. Isso tudo ele relatou do jeito que eu estou relatando aqui pra vocês, com maior tranquilidade, de forma coerente. Aí se dirigiu ao quarto do pai, golpeou o pai e, seguiu pela casa, porque são várias residências lá, enquanto se deparou com a irmã, esfaqueou a irmã e ainda foi, terminou de subir, foi até o quarto do sobrinho e matou o sobrinho deitado na cama ainda de 5 anos”.

Camila Miller disse que o homem alegou que o alvo principal era o pai, que teria prejudicado a vida dele ao longo dos anos, inclusive em questões materiais e que não explicou o assassinato do sobrinho

“Quando a gente pergunta o motivo, inclusive com relação à criança, que é mais bárbaro ainda, ele não consegue justificar porque ele fez isso. Ele tinha frustrações com relação a não ter uma família, ele relata isso também, fala que a família toda preteria ele. Mas o alvo principal dele era o pai, o ressentimento maior dele era contra o pai. Não se arrependeu, falou que fez o que tinha que ter feito”.

Após depoimento, o suspeito foi transferido para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp), no bairro Linhares onde permanece à disposição da justiça. O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Homicídios.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *