A ex-delegada da Polícia Civil Monah Zein será submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri por quatro tentativas de homicídio qualificado

A ex-delegada da Polícia Civil Monah Zein, demitida da corporação após atirar contra policiais durante uma abordagem transmitida ao vivo pelas redes sociais, em Belo Horizonte, será levada a júri popular. A decisão foi tomada pela 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), após recurso apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
A Itatiaia teve acesso, nesta quinta-feira (17), à decisão do desembargador Paulo Nogueira da Gama, que acolheu o recurso e reformou a sentença de primeira instância.
Com a decisão, Monah será submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri por quatro tentativas de homicídio qualificado, uma referente a cada policial civil que, segundo a acusação, teria sido alvo dos disparos, além do crime de resistência.
A data do julgamento ainda não foi definida e dependerá da pauta do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Advogado dos policiais comenta decisão
O advogado Thiago Lenoir, que representa os quatro policiais envolvidos na ocorrência afirmou que a decisão do TJMG reformou integralmente a sentença de primeira instância.
Segundo o advogado, os policiais foram acionados para atender uma ocorrência em que havia preocupação com a integridade da própria delegada.
“Meus clientes foram chamados para essa missão para salvar uma vida e quase perderam as suas vidas”, disse.
O defensor afirmou ainda que um dos disparos teria passado próximo à cabeça do policial que fazia a negociação com Monah.
“Ele estava desarmado, com as mãos espalmadas, pedindo calma, tentando conversar com ela e, mesmo assim, ela disparou contra ele e contra os outros policiais também”, afirmou.
O advogado também declarou que pretende atuar na acusação durante o julgamento, ao lado do Ministério Público.
“Agora vai depender da pauta do Tribunal de Justiça para que ela seja levada a júri e condenada pela população de Belo Horizonte por ter tentado contra a vida desses policiais, que são bastante específicos e fazem relevante trabalho para a sociedade”, finaliza.
Entenda o caso
A ocorrência aconteceu na manhã de 21 de novembro de 2023, no bairro Ouro Preto, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte.
Segundo o contexto apresentado no processo, Monah havia enviado mensagens com conteúdo que indicava risco à própria integridade em um grupo que reunia amigos e colegas de trabalho.
Diante da situação, policiais foram até o prédio onde ela morava para tentar estabelecer contato e verificar as condições da então delegada.
Durante a abordagem, Monah iniciou uma live no Instagram e transmitiu parte da ocorrência. Nas imagens, ela questionava a presença dos policiais e afirmava que eles não tinham mandado para estar no local e que se sentia ameaçada.
De acordo com a versão apresentada pela própria Monah à época, ela efetuou um disparo depois que os policiais utilizaram um Taser, arma de choque, contra ela.
A ocorrência terminou após mais de 30 horas de negociação. Monah foi presa em 23 de novembro de 2023, após permanecer trancada no apartamento, e liberada no dia seguinte durante audiência de custódia.
Na época, a Polícia Civil solicitou a internação hospitalar provisória da delegada para realização de incidente de sanidade mental e suspendeu o exercício de suas funções. Também foram solicitados o recolhimento da arma, da carteira funcional e do distintivo.


