Crise sem precedentes no Supremo colocou ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes em rota de colisão e com troca de acusações graves

Alexandre de Moraes e André Mendonça no plenário do STF • Luiz Silveira/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) terá uma semana movimentada e de alta tensão com os desdobramentos da crise que se escalou entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Na tarde de domingo, Mendonça liberou o processo que trata das conversas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro (do extinto Banco Master) para ser julgada em plenário. Caberá ao presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, decidir se o caso será julgado pelos demais ministros.

O plenário do STF deverá decidir se será aberta uma investigação formal contra o magistrado. Apesar da liberação do ministro Mendonça, a expectativa é que o ministro Fachin aguarde as manifestações dos envolvidos, dentro do prazo de cinco dias que ele concedeu, antes de pautar o caso para análise do plenário.

A crise dentro do tribunal se escalou desde a semana passada, quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apontava conversas entre Moraes e Vorcaro. Entre os diálogos estão pedidos e perguntas de Vorcaro a Moraes logo nos dias que antecederam sua prisão.

O banqueiro chegou a perguntar a Moraes se ele deveria ou não deixar o país. Até o momento não há informações sobre as respostas ou mensagens que o ministro enviou a Vorcaro.

Reunião desmarcada

No final de semana, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu uma reunião com o ministro Fachin para tratar do caso. No entanto, nesta segunda-feira (7), Fachin cancelou a reunião com integrantes da direção da OAB.

Diversas representações estaduais da entidade fizeram críticas ao ministro Alexandre de Moraes e chegaram a pedir o impeachment do magistrado. O Conselho Federal da OAB, por sua vez, afirmou que acompanha com “extrema preocupação” os fatos que envolvem a relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e defendeu a “apuração rigorosa e isenta” do caso.

“A Ordem se preocupa com os impactos dessa crise para o Brasil, sobretudo por envolver instituições essenciais à democracia e por ocorrer durante o período eleitoral”, afirmou a entidade por meio de nota.

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