Michele Leão Azevedo chegou morta ao hospital no dia 20 de julho

Sargento da Polícia Militar, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a companheira, capitã da PM, Michele Leão Azevedo • Imagens cedidas à Itatiaia
O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a capitã Michele Leão Azevedo, foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por feminicídio qualificado, fraude processual, tráfico de drogas e lesão corporal por três vezes. Ele foi preso após levar a companheira e capitã Michele desacordada ao hospital. Segundo a equipe médica do Hospital Metropolitano Odilon Behrens, em Belo Horizonte, a mulher chegou ao local já morta. O caso ocorreu no dia 20 de julho.
O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi denunciado por feminicídio com as agravantes: violência doméstica e familiar; vítima mãe de criança; recurso que dificultou a defesa da vítima; meio cruel; asfixia; motivo fútil.
Além disso, foi denunciado por lesão praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino, por três vezes; fraude processual e “importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar”, com aumento de pena por “agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância”.
Além disso, na denúncia, o promotor Igor Bandeira e Silva requereu a condenação do denunciado à reparação dos danos causados pela infração penal em valor não inferior a R$ 50 mil.
O crime
De acordo com a denúncia, no dia 19 de julho, o sargento e a capitã fizeram uma confraternização em seu apartamento. “Durante o evento, ao perceber que a vítima conversava com alguns dos convidados, o denunciado Eduardo Abner Pereira de Oliveira passou a questioná-la de forma insistente acerca do conteúdo das conversas, demonstrando comportamento agressivo e intimidador, o que exigiu a intervenção dos presentes para conter os ânimos”, consta no documento.
Ainda conforme a denúncia, após o fim da confraternização, na manhã do dia 20 de julho, o sargento golpeou a vítima diversas vezes com um pedaço de madeira. Além disso, o MPMG indica que Eduardo Abner “comprimiu o pescoço da vítima com as mãos, esganando e aumentando o sofrimento físico por ela suportado.”
De acordo com a denúncia, por causa das agressões perpetradas pelo denunciado, a vítima sofreu múltiplas lesões traumáticas e diversas fraturas, que provocaram sua morte.
Segundo o documento do MPMG, após as agressões, “o denunciado Eduardo Abner Pereira de Oliveira alterou a cena dos fatos, retirando os lençóis da cama e colocando para lavar, removendo do local os pedaços de madeira utilizados para agredir a vítima e apagando as mensagens do aparelho celular da ofendida.”
Levou vítima ao hospital
Em seguida, o sargento levou a vítima ao Hospital Metropolitano Odilon Behrens. Imagens obtidas pela Itatiaia mostram o denunciado carregando a capitã desacordada até o carro.
Outras agressões
Além das agressões que provocaram a morte da capitã Michele, o MPMG denunciou Eduardo Abner por lesões corporais contra a vítima nos dias 02, 13 e 16 de julho.
Defesa do sargento
A Itatiaia procurou a defesa do sargento para pedir um posicionamento sobre a denúncia oferecida pelo MPMG e aguarda retorno. Anteriormente, a defesa concedeu uma entrevista à reportagem. Na ocasião, o advogado André Myssior afirmou: “O laudo está muito bem feito, muito bem fundamentado, mas a defesa entende que há ainda algumas questões a serem esclarecidas com relação a qual do eventual trauma teria sido a causa eficiente da morte. Existe uma circunstância muito importante, que é o fato de não haver qualquer tipo de fratura craniana. Então, a causa da morte para nós ainda parece um pouco obscura”.
Outra questão citada pelo advogado é relacionada às lesões causadas pela prática sexual da qual eles eram adeptos, que costuma deixar vestígios. “É uma questão a ser esclarecida no curso da ação penal, o que cada lesão significa, qual a origem e a relação, se é que há, dessas lesões com o óbito da Michelle”, afirmou.


