Crime completa um ano nesta terça-feira (11), com acusado preso, troca de advogado e processo contra delegada

Gari Laudemir foi assassinado por Renê da Silva Nogueira Júnior • Reprodução

Um ano após o assassinato do gari Laudemir Fernandes, o caso ainda aguarda a realização do júri popular e permanece cercado de polêmicas. Laudemir foi morto em 11 de agosto de 2025, nas imediações da Cabana do Pai Tomás, em Belo Horizonte.

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais e o Ministério Público, René da Silva Nogueira Júnior teria se irritado porque o caminhão de coleta de lixo fechava a passagem na rua. Após uma discussão com os trabalhadores, ele teria sacado uma pistola calibre .380 e efetuado um disparo contra Laudemir, que morreu no local.

A arma utilizada no crime pertencia à delegada da Polícia Civil Ana Paula Balbino, esposa de René. Segundo as investigações, a pistola fazia parte da carga pessoal da policial. Um ano após o crime, ela continua afastada das funções em licença médica remunerada. A licença mais recente terminou em 9 de agosto e, segundo informações obtidas pela reportagem, deverá ser renovada.

René Júnior está preso preventivamente no Presídio de Caeté desde o início do caso. Na última sexta-feira (7), ele anunciou a troca de defesa. O novo advogado é o criminalista mineiro Bruno Correa, que deve conceder entrevista coletiva nesta segunda-feira (10) para apresentar detalhes da estratégia da defesa.

A mudança ocorre em meio a outra polêmica. O antigo advogado de René, o criminalista carioca Bruno Silva Rodrigues, ingressou com uma ação de cobrança no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para exigir o pagamento de R$ 240 mil em honorários. Segundo o advogado, nenhum valor teria sido pago pelo acusado.

Para Thiago Lenoir, que atua como assistente de acusação, a expectativa é que o processo avance e René seja levado a julgamento ainda neste ano. “Um ano da morte do Laudemir, um gari que saiu de casa para trabalhar e nunca mais retornou. (…) Nós estamos atentos a cada segundo, a cada detalhe desse processo, para que ele seja levado a julgamento quanto antes.”

Lenoir também criticou o fato de o acusado estar envolvido em uma disputa judicial com os próprios antigos advogados. “Como que nós vamos acreditar em uma das várias versões que esse indivíduo deu, sendo que ele não arca com os compromissos sequer com os seus próprios advogados?”

Colegas ainda esperam por Justiça

Eledias Rodrigues, que dirigia o caminhão de lixo no momento do crime e é testemunha ocular do assassinato, afirma que o primeiro ano sem o colega foi marcado por saudade e expectativa pelo julgamento. “Foi um ano de muitas saudades, um ano de muita expectativa, de espera, aquela espera que a Justiça seja concretizada.”

Ela afirma que espera que o julgamento ocorra o mais rápido possível e que Laudemir tenha uma resposta da Justiça. “Ver a Justiça chegar ao fim, vendo a pena dele sendo determinada, vai trazer aquele conforto de saber que chegou, que acabou.”

Segundo Eledias, uma das maiores expectativas era que René confessasse o crime. Para ela, porém, os últimos acontecimentos indicam que isso dificilmente deve ocorrer.

Processo contra delegada

Em relação à delegada Ana Paula Balbino, a Polícia Civil de Minas Gerais informou, por meio de nota, que existe um processo administrativo disciplinar para apurar eventual prática de transgressão disciplinar. O procedimento tramita na Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais.

René da Silva Nogueira Júnior permanece preso por tempo indeterminado no Presídio de Caeté. A família de Laudemir e os colegas de trabalho aguardam a definição da data do julgamento pelo Tribunal do Júri.

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