Iniciativa do Sebrae Minas pretende reativar curtume local e transformar resíduo da piscicultura em peças de moda, artesanato e decoração com alto valor agregado

Divulgação/ Sebrae Minas

Reconhecida como a capital nacional da tilápia e responsável por mais de 50% da produção estadual do pescado, com cerca de 80 toneladas diárias, Morada Nova de Minas prepara um movimento para agregar ainda mais valor à sua principal atividade econômica. Uma iniciativa liderada pelo Sebrae Minas quer transformar a pele do peixe, hoje destinada em grande parte à fabricação de ração animal, em matéria-prima sustentável para os setores de moda, artesanato e design.

O objetivo do projeto é estruturar a cadeia produtiva na cidade, utilizando o couro ecológico para a confecção de calçados, bolsas, carteiras, cintos e artigos de decoração voltados inclusive ao turismo e à pesca esportiva.

A ação resgata um capítulo da história do município do Noroeste mineiro. Há cerca de 20 anos, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) implantou um curtume na cidade. Embora a operação tenha sido interrompida na época, o maquinário segue preservado e pronto para reativação. A estrutura local tem capacidade estimada para processar cerca de 20 mil peles de tilápia por mês

Capacitação e sustentabilidade

Para tirar o plano do papel, a prioridade agora é a formação de mão de obra e a mobilização de pessoas interessadas em atuar em etapas como curtume, tingimento e costura das mantas. Uma piscicultura da região já sinalizou a doação inicial das peles para o arranque dos trabalhos.

Recentemente, representantes locais buscaram referências de inovação fora do estado. Em julho, uma comitiva participou da feira Inspira Mais, em São Paulo, e visitou o ateliê da estilista Flávia Aranha, referência em moda sustentável. A ideia é incorporar técnicas de tingimento natural com pigmentos vegetais abundantes na própria região, como urucum, anil, cúrcuma, aroeira, cascas e folhas.

“Somos a capital nacional da tilápia e temos muito potencial para fortalecer essa identidade também por meio do couro”, afirmou a artesã Maria Helena Costa, da Associação dos Artesãos de Morada Nova. De acordo com ela, a busca no momento é por profissionais interessados em atuar na fase de corte e costura.

Economia circular e valor agregado

Para o Sebrae Minas, o projeto une sustentabilidade ambiental à geração de renda, transformando um resíduo da agroindústria em artigos de alto valor comercial.

“A união de piscicultores, empreendedores, artesãos e parceiros vai permitir transformar um resíduo da piscicultura em novas oportunidades de negócios, geração de renda, identidade e desenvolvimento para Morada Nova de Minas”, destacou a analista do Sebrae Minas Isabella Silva.

Os próximos passos incluem testes operacionais do maquinário e a oferta de capacitações específicas para as equipes de curtimento, tingimento e confecção. A expectativa é aproveitar a estrutura robusta que o município já possui no setor aquícola — que conta com o apoio da represa de Três Marias — para consolidar a cidade também como referência no uso sustentável de subprodutos da pesca.

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