Influenciadora foi levada para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista, que abriga número de detentas acima da capacidade

A influenciadora Deolane Bezerra foi transferida nesta sexta-feira (22) para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Com capacidade para 714 detentas, a unidade abriga atualmente 873 presas, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Localizado a cerca de 670 quilômetros da capital paulista, o presídio fica às margens da Rodovia João Ribeiro de Barros. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), a unidade recebe presas provisórias e diferentes perfis de detentas.
Diferentemente da Penitenciária Feminina de Sant’Ana, na Zona Norte da capital, onde Deolane ficou presa até a manhã desta sexta (22), a unidade de Tupi Paulista recebe apenas mulheres sem condenação definitiva.
Na Penitenciária de Sant’Ana, a advogada também estava em uma unidade superlotada, localizada a menos de 500 metros do antigo Complexo Penitenciário do Carandiru, onde ocorreu o massacre que deixou 111 mortos em 1992.
Deolane foi presa na quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A audiência de custódia ocorreu ainda na quinta-feira, e a Justiça decidiu manter a prisão preventiva da influenciadora. A investigação também apura movimentações financeiras, bloqueios patrimoniais e empresas supostamente utilizadas para ocultar recursos da facção criminosa.
Deolane é apontada como “caixa” do PCC
Segundo as investigações, Deolane teria atuado como uma espécie de “caixa” da organização criminosa. Por ser uma figura pública conhecida nacionalmente, ela seria usada para ocultar depósitos de origem ilícita.
De acordo com a Polícia Civil, integrantes da facção depositavam valores em contas ligadas à influenciadora. O dinheiro seria misturado a receitas de outras atividades e, posteriormente, retornaria ao crime organizado.
Ainda conforme os investigadores, Deolane teria aberto 35 empresas de fachada registradas no mesmo endereço para viabilizar o esquema de lavagem de dinheiro.
Bilhetes encontrados em presídio deram origem à investigação
Imagens de bilhetes manuscritos encontrados dentro do sistema prisional paulista, que deram origem à investigação, foram divulgadas pelas autoridades.
Nos documentos, havia mensagens sobre supostos planos para matar funcionários do sistema penitenciário, além de informações relacionadas ao tráfico de drogas da facção.
Segundo a investigação, os bilhetes estavam escondidos em celas e foram localizados por agentes penitenciários durante inspeções.
O Ministério Público de São Paulo informou ainda que comprovantes das movimentações financeiras investigadas foram encontrados no celular de Ciro Cesar Lemos, apontado pelos investigadores como operador central do esquema financeiro da organização criminosa.


