Jovens foram encontrados em área de mata; mãe diz que ex-companheiro não aceitava o término

A mãe de Ana Clara Xavier Quintela, de 18 anos, contou que a filha, encontrada morta ao lado do namorado neste domingo (2)
, em Sete Lagoas, na região Central de Minas Gerais, já era vítima de violência doméstica por parte do ex-companheiro, suspeito de envolvimento no crime.

Os corpos de Ana Clara e de Vittor Hugo Cassemiro de Oliveira, de 20 anos, foram localizados em uma área de mata na região conhecida como Fazendinha Vovó Cleia. Segundo o Boletim de Ocorrência (B.O.), o casal estava desaparecido havia 20 dias.

Eles sumiram em 2 de fevereiro, após informarem aos familiares que sairiam para colher mangas e não retornaram.

A mãe de Ana Clara reconheceu as ossadas por meio das vestimentas encontradas no local, que coincidiam com as roupas usadas pelos jovens no dia do desaparecimento.

“Ela terminou e ele não aceitava. Ficava infernizando, ameaçando todas as vezes que a via, sozinha ou com alguém”, relatou.

Andreia afirmou ainda que a filha já havia registrado Boletim de Ocorrência (B.O.).

“Ele já tinha batido nela, ameaçado na rua, feito tudo o que não podia. Um detalhe que me entristece muito é que, quando ela estava grávida, ele bateu nela na porta da escola. Ela tinha 16 anos, estava grávida de sete meses. Ele a encontrou no ponto da lotação e começou a agredi-la, enforcando. Colegas da escola chegaram e conseguiram ajudá-la”, contou.

Em uma das mensagens às quais a Itatiaia teve acesso, o homem, ex de Ana Clara, afirma:

“Se eu encontrar você na rua, vai ser confronto para nós dois. Vai dar problema. Vou pegar você. Vou cortar a cabeça e gravar, dizendo: ‘Fui eu mesmo’.”

Ana Clara deixou uma filha de 1 ano e 8 meses. “Infelizmente, não vou ter mais minha filha, mas vou ter que cuidar da minha neta”, lamentou a mãe.

Maria das Dores Aparecida, tia de Vittor Hugo, afirmou que o relacionamento entre os dois era recente, de cerca de um mês. Segundo ela, a família de Ana Clara já demonstrava preocupação por causa das ameaças feitas pelo ex-companheiro.

Ela contou ainda que, cerca de uma semana antes do desaparecimento, Vittor Hugo esteve em sua casa

“Ele perguntou se tinha comida, depois foi ao quintal colher mangas. Eu disse para ele criar juízo, não andar daquele jeito. Disse que me via como mãe. Eu o amava como um filho. Foi a última vez que o vi, justamente quando saiu para buscar mangas”, relatou.

Ela afirmou que chegou a ouvir relatos de que Vittor Hugo estaria sendo ameaçado.

Mortos a tiros

A perícia identificou marcas de tiros nos crânios das vítimas. Próximo à ossada atribuída a Vittor Hugo, também foi encontrada uma corda, o que indica que ele pode ter sido amarrado antes de ser morto.

Em nota, a Polícia Civil (PCMG) disse que, após a coleta de vestígios e informações, os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), em BH, para a devida identificação e exame de necropsia.

“A investigação encontra-se em andamento e a PCMG aguarda a conclusão de laudos periciais. Outros detalhes poderão ser prestados com o avanço dos procedimentos”, disse.

Até a publicação da reportagem, ninguém havia sido preso.

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